- Geographer, geomorphologistProfessor at Geography department, Porto Universityedit
A norte do denominado Edifício Transparente, na Praia da Circunvalação, existem uns afloramentos rochosos acastanhados que emergem das areias da praia. Estes afloramentos rochosos têm uma imensa (e importante) história para contar. São... more
A norte do denominado Edifício Transparente, na Praia da Circunvalação, existem uns afloramentos rochosos acastanhados que emergem das areias da praia. Estes afloramentos rochosos têm uma imensa (e importante) história para contar. São depósitos argilosos que cobriram a antiga praia há dezenas de milhar de anos e que subsistem até hoje. Essa antiga praia corresponde ao último período em que o nível do mar foi relativamente alto. Ou seja, ao último período interglaciar, há 125 mil anos.
RESUMO: A área em que se enquadra o sítio do Castelo Velho tem uma posição muito especial porque corresponde a uma espécie de encruzilhada onde a super-fície de aplanamento da Meseta começa a ser movimentada e desnivelada pelo... more
RESUMO: A área em que se enquadra o sítio do Castelo Velho tem uma posição muito especial porque corresponde a uma espécie de encruzilhada onde a super-fície de aplanamento da Meseta começa a ser movimentada e desnivelada pelo desligamento esquerdo tardi-varisco Manteigas-Vilariça-Bragança e, si-multaneamente, entalhada pela erosão regressiva do Douro e seus afluentes. Com movimentação tectónica durante o Quaternário, o acidente referido é sublinhado pela rigidez do Vale da Vila, prolongando-se para Norte e ori-ginando o graben da Vilariça, enquanto para sul define o fosso tectónico da Longroiva. O sítio de Castelo Velho, dominando o Vale da Vila e a superfí-cie de Foz Côa, permite a observação de extensas áreas sobretudo de uma 1 Autor correspondente. m.a.araujo@netcabo.pt 2
Research Interests:
A preocupação com as variações do nível do mar está na ordem do dia. Na verdade a aprovação dos acordos de Paris, no final de 2015, veio reforçar a atualidade ao tema. Esta atualidade viu-se ainda acentuada com a recente decisão do... more
A preocupação com as variações do nível do mar está na
ordem do dia. Na verdade a aprovação dos acordos de Paris, no
final de 2015, veio reforçar a atualidade ao tema. Esta atualidade
viu-se ainda acentuada com a recente decisão do presidente
dos Estados Unidos a respeito dos ditos acordos.
Numa época de grande difusão da informação, parece-nos
que corremos o risco, como sociedade, de sermos afastados da
discussão de temas candentes devido ao seu carácter muito
especializado que o torna aparentemente inacessível. Da falta
de compreensão da ciência subjacente, ou de uma compreensão
demasiado simplista, resulta uma verdadeira ditadura das
ideias do mainstream, geralmente mal assimiladas e quase nunca
discutidas pelo público, que as aceita como verdades insofismáveis.
ordem do dia. Na verdade a aprovação dos acordos de Paris, no
final de 2015, veio reforçar a atualidade ao tema. Esta atualidade
viu-se ainda acentuada com a recente decisão do presidente
dos Estados Unidos a respeito dos ditos acordos.
Numa época de grande difusão da informação, parece-nos
que corremos o risco, como sociedade, de sermos afastados da
discussão de temas candentes devido ao seu carácter muito
especializado que o torna aparentemente inacessível. Da falta
de compreensão da ciência subjacente, ou de uma compreensão
demasiado simplista, resulta uma verdadeira ditadura das
ideias do mainstream, geralmente mal assimiladas e quase nunca
discutidas pelo público, que as aceita como verdades insofismáveis.
Research Interests:
RESUMO A erosão costeira tem sido apontada como um dos principais problemas ambientais em Portugal. Muitas vezes é invocada, a esse respeito a “elevação do nível do mar”, ou mesmo a sua “aceleração” tida como uma das principais causas do... more
RESUMO
A erosão costeira tem sido apontada como um dos principais problemas ambientais em Portugal. Muitas vezes é invocada, a esse
respeito a “elevação do nível do mar”, ou mesmo a sua “aceleração” tida como uma das principais causas do processo.
A análise das tendências da da variação do nível do mar na Península Ibérica demonstra uma variedade acentuada de tendências.
Porém, são raros os caso de valores superiores a 2mm/ano. E geralmente acontecem em séries relativamente curtas.
Recentemente, a série de Cascais foi alvo de um estudo aprofundado que conduziu a uma proposta de subida de 4,1mm/ano.
Discutem-se os processos seguidos para a obtenção deste valor e conclui-se da fraca probabilidade de existir, de facto, uma aceleração
da subida do nível do mar, tal como esse valor poderia fazer supor.
Os valores da subida absoluta do nível do mar, em que são descontados os movimentos na vertical do continente, avaliados por
GPS, mostram que a maior parte das estações europeias apresentam valores inferiores a uma subida eustática de 2mm/ano. Isto
significa que a subida do nível do mar proposta por certos alarmistas climáticos não apresenta bases objectivas.
A erosão costeira tem sido apontada como um dos principais problemas ambientais em Portugal. Muitas vezes é invocada, a esse
respeito a “elevação do nível do mar”, ou mesmo a sua “aceleração” tida como uma das principais causas do processo.
A análise das tendências da da variação do nível do mar na Península Ibérica demonstra uma variedade acentuada de tendências.
Porém, são raros os caso de valores superiores a 2mm/ano. E geralmente acontecem em séries relativamente curtas.
Recentemente, a série de Cascais foi alvo de um estudo aprofundado que conduziu a uma proposta de subida de 4,1mm/ano.
Discutem-se os processos seguidos para a obtenção deste valor e conclui-se da fraca probabilidade de existir, de facto, uma aceleração
da subida do nível do mar, tal como esse valor poderia fazer supor.
Os valores da subida absoluta do nível do mar, em que são descontados os movimentos na vertical do continente, avaliados por
GPS, mostram que a maior parte das estações europeias apresentam valores inferiores a uma subida eustática de 2mm/ano. Isto
significa que a subida do nível do mar proposta por certos alarmistas climáticos não apresenta bases objectivas.
Research Interests:
Research Interests:
Coastal erosion is a real problem along several stretches of the Portuguese coast. The causes are quite complex and the effects in the coastline are also differentiated. Some scientists (Dias et al., 1997) insist that only 10% of coastal... more
Coastal erosion is a real problem along several stretches of
the Portuguese coast. The causes are quite complex and the
effects in the coastline are also differentiated. Some scientists
(Dias et al., 1997) insist that only 10% of coastal erosion in
Portugal can be related to sea level changes. It is known (Ferreira
et al., 2008) that the most important cause has to do with the
retention of sediments at the dams along the main rivers. Recent
papers also conclude that the erosion areas are generally related
to human intervention along the coastline (Lira et al. 2016).
However, most of the literature points out “sea level rise” as
the primary reason for coastal erosion. Some of the recent papers
on the subject don’t talk about sea level change but about sea
level rise (SLR). Or even “ASLR” (Accelerated Sea Level Rise).
So, our first objective is to try to understand if this
“acceleration” of sea level change really exists.
the Portuguese coast. The causes are quite complex and the
effects in the coastline are also differentiated. Some scientists
(Dias et al., 1997) insist that only 10% of coastal erosion in
Portugal can be related to sea level changes. It is known (Ferreira
et al., 2008) that the most important cause has to do with the
retention of sediments at the dams along the main rivers. Recent
papers also conclude that the erosion areas are generally related
to human intervention along the coastline (Lira et al. 2016).
However, most of the literature points out “sea level rise” as
the primary reason for coastal erosion. Some of the recent papers
on the subject don’t talk about sea level change but about sea
level rise (SLR). Or even “ASLR” (Accelerated Sea Level Rise).
So, our first objective is to try to understand if this
“acceleration” of sea level change really exists.
Research Interests:
Coastal erosion is a real problem along several stretches of the Portuguese coast. The causes are quite complex and the effects in the coastline are also differentiated. Some scientists (Dias et al., 1997) insist that only 10% of coastal... more
Coastal erosion is a real problem along several stretches of the Portuguese coast. The causes are quite complex and the effects in the coastline are also differentiated. Some scientists (Dias et al., 1997) insist that only 10% of coastal erosion in Portugal can be related to sea level changes. It is known (Ferreira et al., 2008) that the most important cause has to do with the retention of sediments at the dams along the main rivers. Recent papers also conclude that the erosion areas are generally related to human intervention along the coastline (Lira et al. 2016).
However, most of the literature points out “sea level rise” as the primary reason for coastal erosion. Some of the recent papers on the subject don’t talk about sea level change but about sea level rise (SLR). Or even “ASLR” (Accelerated Sea Level Rise).
So, our first objective is to try to understand if this “acceleration” of sea level change really exists.
However, most of the literature points out “sea level rise” as the primary reason for coastal erosion. Some of the recent papers on the subject don’t talk about sea level change but about sea level rise (SLR). Or even “ASLR” (Accelerated Sea Level Rise).
So, our first objective is to try to understand if this “acceleration” of sea level change really exists.
Research Interests:
Plataformas de erosão marinha, Eemiano, flandriano, neotectónica, GPS De um modo geral, os litorais arenosos têm atraído mais a atenção dos investigadores do que os litorais rochosos. Todavia, trata-se de um tema de estudo da maior... more
Plataformas de erosão marinha, Eemiano, flandriano, neotectónica, GPS
De um modo geral, os litorais arenosos têm atraído mais a atenção dos investigadores do que os litorais rochosos. Todavia, trata-se de um tema de estudo da maior importância por várias razões. Na verdade, trata-se de litorais mais frequentes do que geralmente se pensa (Sunamura, 1992, Trenhaile 2009). Por outro lado, mesmo quando estamos em presença de litorais arenosos, muitas vezes, subjacente a eles, existe um substrato rochoso que aflora periodicamente, na sequência de períodos de agitação marítima intensa. As plataformas de erosão marinha de tipo A, segundo Sunamura (1992), apresentam uma relação bastante bem definida com o nível médio do mar: elas tendem a desenvolver-se entre o nível médio das marés baixas e o nível médio das marés altas. Essa ideia tem vindo a ser confirmada por trabalhos já realizados na área em estudo. Porém, o desenvolvimento destas formas não pode ser visto de um modo meramente estático; o nível do mar tem que ser visto como algo de relativo que depende, por um lado, das variações eustáticas e, por outro, de vários fenómenos, de tipo diastrófico, com sede no continente. Daí que o registo geomorfológico, conhecendo-se, de uma forma geral, a curva das variações do mar, possa dar indicações sobre o sentido dos eventuais movimentos tectónicos em acção nos diferentes troços litorais. Nesse sentido, as plataformas de erosão marinha correspondem a elementos geomorfológicos relativamente duráveis, muitas vezes resistentes aos fenómenos erosivos que se processam quando o nível do mar desce (em termos relativos) constituindo, assim, um registo de informações preciosas para a compreensão da evolução do nível do mar. Muitas vezes, como foi o caso do inverno de 2009-2010, graças a uma agitação marítima pouco usual (em Fevereiro, a bóia ondógrafo de Leixões registou alturas máximas da ondulação de quase 14m), os fenómenos de erosão das praias acentuam-se e, em certos locais da costa, o substrato rochoso aparece exumado da sua cobertura arenosa e pode, assim, estudar-se com a sua morfologia de pormenor.
De um modo geral, os litorais arenosos têm atraído mais a atenção dos investigadores do que os litorais rochosos. Todavia, trata-se de um tema de estudo da maior importância por várias razões. Na verdade, trata-se de litorais mais frequentes do que geralmente se pensa (Sunamura, 1992, Trenhaile 2009). Por outro lado, mesmo quando estamos em presença de litorais arenosos, muitas vezes, subjacente a eles, existe um substrato rochoso que aflora periodicamente, na sequência de períodos de agitação marítima intensa. As plataformas de erosão marinha de tipo A, segundo Sunamura (1992), apresentam uma relação bastante bem definida com o nível médio do mar: elas tendem a desenvolver-se entre o nível médio das marés baixas e o nível médio das marés altas. Essa ideia tem vindo a ser confirmada por trabalhos já realizados na área em estudo. Porém, o desenvolvimento destas formas não pode ser visto de um modo meramente estático; o nível do mar tem que ser visto como algo de relativo que depende, por um lado, das variações eustáticas e, por outro, de vários fenómenos, de tipo diastrófico, com sede no continente. Daí que o registo geomorfológico, conhecendo-se, de uma forma geral, a curva das variações do mar, possa dar indicações sobre o sentido dos eventuais movimentos tectónicos em acção nos diferentes troços litorais. Nesse sentido, as plataformas de erosão marinha correspondem a elementos geomorfológicos relativamente duráveis, muitas vezes resistentes aos fenómenos erosivos que se processam quando o nível do mar desce (em termos relativos) constituindo, assim, um registo de informações preciosas para a compreensão da evolução do nível do mar. Muitas vezes, como foi o caso do inverno de 2009-2010, graças a uma agitação marítima pouco usual (em Fevereiro, a bóia ondógrafo de Leixões registou alturas máximas da ondulação de quase 14m), os fenómenos de erosão das praias acentuam-se e, em certos locais da costa, o substrato rochoso aparece exumado da sua cobertura arenosa e pode, assim, estudar-se com a sua morfologia de pormenor.
Research Interests:
Resumo: A linha de costa do Noroeste de Portugal apresenta uma notável homogeneidade quando observada num mapa de pequena escala. Tem uma orientação muito consistente, de rumo NNW-SSE desde a fronteira com a Galiza, na foz do rio Minho,... more
Resumo: A linha de costa do Noroeste de Portugal apresenta uma notável homogeneidade quando observada num mapa de pequena escala. Tem uma orientação muito consistente, de rumo NNW-SSE desde a fronteira com a Galiza, na foz do rio Minho, ao longo de 97km até à latitude de Espinho, cerca de 14km a sul da cidade do Porto. Além de sua aparência retilínea, outra característica importante da zona costeira de Portugal é a existência da designada " plataforma litoral " , que se desenvolve como uma superfície aplanada, contígua à linha de costa e geralmente separada dos relevos interiores por um alinhamento abrupto. É possível considerar vários sectores bem diferenciados dentro deste trecho com cerca de 100km de extensão. A diferenciação relaciona-se com a extensão da plataforma litoral e com o seu desenvolvimento altimétrico. O estudo dos depósitos que cobrem a plataforma litoral, feito com mais detalhe na área que rodeia a foz do Rio Douro, onde esses depósitos são bastante representativos e bem expostos, permite corroborar a hipótese de movimentações tectónicas durante o fi nal do Cenozóico. Deste modo, quer o desenvolvimento topográfi co de conjunto, quer o estudo detalhado dos depósitos correlativos sugerem a existência de compartimentos com movimentação tectónica diferenciada, ao longo de falhas herdadas dos tempos tardi-hercínicos, que poderão ter continuado a atuar ao longo do Quaternário. Abstract: The coastline of Northwest Portugal has a remarkable homogeneity when viewed on a small-scale map. It has a very consistent orientation towards NNW-SSE, along 122 km, from the latitude of Espinho, south of the city of Porto, up to the border with Galicia, at the mouth of the Minho River, and beyond this point up Baiona in Galicia. In addition to its straight appearance, another important feature of the coastal area of Portugal is the existence of the designated " littoral platform, " which develops as a fl attened surface, adjacent to the shoreline and usually separated from the interior reliefs by an abrupt alignment. One can consider several well-diff erentiated sectors within this stretch of about 100km long. The Informações sobre o Artigo
Research Interests:
Recensão Geomorfologia de Portugal APGeom
Research Interests:
Sea level is a very changeable surface. Furthermore, the land may also be moving, in a slower rate, generating relative sea level changes. The causes of relative sea level changes are variable, but the ones that cause more intense... more
Sea level is a very changeable surface. Furthermore, the land may also be moving, in a slower rate, generating relative sea level changes. The causes of relative sea level changes are variable, but the ones that cause more intense variations are related to climate. During Little Ice Age (LIA) Northern Hemisphere's summer temperatures fell significantly below the AD 1961–1990 range. This climate situation was responsible for a greater discharge of rivers, which could lead to a greater transportation of sediments to the coastline. During these cold periods, sea level was lower than in present time. All this could imply a coastline progradation, with the successive abandon of older beach ridges, reinforcing the sandy supply for dune building. The coastal situation should be, in some sense, the opposite of the situations that we face today. In present warm period, rivers carry less sediment than during LIA. Moreover, the recent sea level rise contributes to a coastal migration inlands and the erosion of previous beaches and dunes. Our investigation on ancient marine levels and Holocene cemented dunes suggests that the area near Esmoriz (20 km south of Porto, NW Portuguese coast) is probably subsiding. This possible subsidence, together with recent sea level rise, induced by the end of LIA, could explain the severe coastal erosion that is taking place at Espinho area (15 km south of Porto) since the middle of the XIX century. This example shows clearly the complexity of relative sea-level changes. Because of this complexity, sea level curves are not similar worldwide, as they depend on the interference of multiple timescales phenomena.
Research Interests:
Apresentamos o estudo de depósitos do litoral da região do Porto, incluindo datações por termoluminescência, bem como o pormenorizado levantamento topográfico geo-referenciado por GPS de precisão. O principal objectivo deste trabalho... more
Apresentamos o estudo de depósitos do litoral da região do Porto, incluindo datações por
termoluminescência, bem como o pormenorizado levantamento topográfico geo-referenciado por GPS
de precisão. O principal objectivo deste trabalho visou identificar distintas plataformas de erosão
marinha, definindo a altimetria da plataforma actual, de uma plataforma intermédia, presumivelmente,
flandriana, bem como da plataforma correspondente ao último interglaciar (Eemiano), o que é atestado
pelos depósitos que conserva. O estudo permitiu confirmar as hipóteses de uma variação altimétrica
apreciável nos depósitos correspondentes ao último interglaciar, atribuíveis à neotectónica.
Palavras-chave: plataforma litoral, depósitos marinhos, datações por TL, georeferenciação de
precisão, Eemiano, Flandriano, neotectónica.
termoluminescência, bem como o pormenorizado levantamento topográfico geo-referenciado por GPS
de precisão. O principal objectivo deste trabalho visou identificar distintas plataformas de erosão
marinha, definindo a altimetria da plataforma actual, de uma plataforma intermédia, presumivelmente,
flandriana, bem como da plataforma correspondente ao último interglaciar (Eemiano), o que é atestado
pelos depósitos que conserva. O estudo permitiu confirmar as hipóteses de uma variação altimétrica
apreciável nos depósitos correspondentes ao último interglaciar, atribuíveis à neotectónica.
Palavras-chave: plataforma litoral, depósitos marinhos, datações por TL, georeferenciação de
precisão, Eemiano, Flandriano, neotectónica.
Research Interests:
Para todos os labrugenses “there is no place like home”. E eu compreendo-os muito bem. Se eu não fosse portuense de gema adotaria, Labruge como a minha segunda pátria... Labruge é um lugar muito especial, com as praias limpas e bem... more
Para todos os labrugenses “there is no place
like home”. E eu compreendo-os muito bem.
Se eu não fosse portuense de gema adotaria,
Labruge como a minha segunda pátria...
Labruge é um lugar muito especial, com as
praias limpas e bem organizadas, mantendo,
ainda, um aspeto selvagem.
Já quando estamos a sair de Angeiras em
direção a Labruge, as vertentes abruptas do rio
Onda, as casinhas coloridas da outra margem,
tudo nos traz ao coração uma sensação de paz
e beleza.
Percebe-se que é uma terra bem cuidada, onde
as questões ambientais nunca foram esquecidas.
A ponte pedonal sobre o Rio Onda, que liga
Labruge a Angeiras, é um excelente exemplo
daquilo que deve ser feito no litoral: mantê-lo
o mais natural possível, evitando a construção
indiscriminada que desfeia a paisagem e que
sempre acompanha a abertura de novas
estradas no litoral.
As águas do mar são límpidas e de boa
qualidade, os rochedos ao abrigo dos quais nos
refugiamos da nortada têm formas caprichosas
e são formados por rochas belas e enigmáticas.
Porém, a alguns labrugenses falta
compreenderem a razão da singular beleza da
freguesia e sobretudo, da sua joia mais preciosa
– o S. Paio.
Foi justamente para explicar a toda a gente
o significado daquela paisagem e as riquezas
escondidas naqueles rochedos que foi
implementado o Centro Interpretativo.
Toda a gente de Labruge conhece o
restaurante do Castro de S. Paio, mas aposto
que há muitos labrugenses que nunca visitaram
o Centro Interpretativo que fica mesmo ao
lado.
Há décadas que considero o S. Paio o meu
lugar mágico e tenho feito tudo o que posso
para o divulgar e preservar. Por esta razão
fui vendo com alguma impaciência os atrasos
sucessivos na construção do Centro
Interpretativo e na sua abertura.
Finalmente ficou concluído e foi inaugurado em
agosto de 2013. A sua inauguração foi um dia
feliz para mim. Marcaram presença, para além
do anterior presidente da junta, José Manuel
Diogo, a atual presidente da Câmara de Vila
do Conde, Elisa Ferraz, cujo discurso mostrou
muito bem a importância que atribui às
questões do património.
Na mesma altura, todos os presentes
receberam um livrinho sobre o lugar de S.
Paio, com as vertentes de arqueologia, geologia
e biologia representadas no centro
interpretativo. Este livrinho está disponível em:
https://www.dropbox.com/s/ckj3auy0nh6jqge
/Livro%20S.%20Paio.pdf?dl=0.
No ano passado, visitei o Centro Interpretativo
com uma amiga americana que (e não por
acaso) é geóloga. Ela gostou muito do aspeto
“aconchegado” e original do centro, e também
da mesa interativa. Uma falha que
constatámos é o facto de todo o material
presente estar disponível apenas em português.
Com efeito, não devemos esquecer que, pelo S.
Paio passam milhares de turistas estrangeiros
e também muitos caminhantes de Santiago
com as suas mochilas, os seus bordões e as suas
vieiras. Trata-se de pessoas geralmente
bastante cultas que fazem este caminho com
uma atitude que os leva a aprender tudo o que
puderem sobre as paisagens que atravessam.
Compreendemos bem que os donos do
restaurante não possam abrir o centro todos
os dias: no tempo de chuva o soalho sofreria
um desgaste difícil de recuperar. Mas pareceme
que seria possível colocar o essencial dos
conteúdos online, de preferência também em
inglês.
O Centro Interpretativo é um espaço com uma
bonita arquitetura, muito original, onde pode
ficar a saber mais sobre os 3 eixos temáticos
que tornam o lugar de S. Paio único: geologia,
arqueologia e biodiversidade.
O que faz a riqueza do S. Paio são todos estes
aspetos, enquadrados por um cenário
magnífico.
Cada vez que assistimos a um belo pôr do sol,
ou nos encantámos com os as ondas a
desfazerem-se em espuma contra as escarpas,
saímos dali com a alma lavada e os olhos mais
despertos para a beleza do mundo.
O S. Paio é uma espécie de coração ecológico
de Labruge, resumindo toda a beleza da
freguesia.
Dentro desse coração, o Centro
Interpretativo funciona como um livro de
instruções para melhor entendermos a
paisagem... e para melhor podermos amá-la!
like home”. E eu compreendo-os muito bem.
Se eu não fosse portuense de gema adotaria,
Labruge como a minha segunda pátria...
Labruge é um lugar muito especial, com as
praias limpas e bem organizadas, mantendo,
ainda, um aspeto selvagem.
Já quando estamos a sair de Angeiras em
direção a Labruge, as vertentes abruptas do rio
Onda, as casinhas coloridas da outra margem,
tudo nos traz ao coração uma sensação de paz
e beleza.
Percebe-se que é uma terra bem cuidada, onde
as questões ambientais nunca foram esquecidas.
A ponte pedonal sobre o Rio Onda, que liga
Labruge a Angeiras, é um excelente exemplo
daquilo que deve ser feito no litoral: mantê-lo
o mais natural possível, evitando a construção
indiscriminada que desfeia a paisagem e que
sempre acompanha a abertura de novas
estradas no litoral.
As águas do mar são límpidas e de boa
qualidade, os rochedos ao abrigo dos quais nos
refugiamos da nortada têm formas caprichosas
e são formados por rochas belas e enigmáticas.
Porém, a alguns labrugenses falta
compreenderem a razão da singular beleza da
freguesia e sobretudo, da sua joia mais preciosa
– o S. Paio.
Foi justamente para explicar a toda a gente
o significado daquela paisagem e as riquezas
escondidas naqueles rochedos que foi
implementado o Centro Interpretativo.
Toda a gente de Labruge conhece o
restaurante do Castro de S. Paio, mas aposto
que há muitos labrugenses que nunca visitaram
o Centro Interpretativo que fica mesmo ao
lado.
Há décadas que considero o S. Paio o meu
lugar mágico e tenho feito tudo o que posso
para o divulgar e preservar. Por esta razão
fui vendo com alguma impaciência os atrasos
sucessivos na construção do Centro
Interpretativo e na sua abertura.
Finalmente ficou concluído e foi inaugurado em
agosto de 2013. A sua inauguração foi um dia
feliz para mim. Marcaram presença, para além
do anterior presidente da junta, José Manuel
Diogo, a atual presidente da Câmara de Vila
do Conde, Elisa Ferraz, cujo discurso mostrou
muito bem a importância que atribui às
questões do património.
Na mesma altura, todos os presentes
receberam um livrinho sobre o lugar de S.
Paio, com as vertentes de arqueologia, geologia
e biologia representadas no centro
interpretativo. Este livrinho está disponível em:
https://www.dropbox.com/s/ckj3auy0nh6jqge
/Livro%20S.%20Paio.pdf?dl=0.
No ano passado, visitei o Centro Interpretativo
com uma amiga americana que (e não por
acaso) é geóloga. Ela gostou muito do aspeto
“aconchegado” e original do centro, e também
da mesa interativa. Uma falha que
constatámos é o facto de todo o material
presente estar disponível apenas em português.
Com efeito, não devemos esquecer que, pelo S.
Paio passam milhares de turistas estrangeiros
e também muitos caminhantes de Santiago
com as suas mochilas, os seus bordões e as suas
vieiras. Trata-se de pessoas geralmente
bastante cultas que fazem este caminho com
uma atitude que os leva a aprender tudo o que
puderem sobre as paisagens que atravessam.
Compreendemos bem que os donos do
restaurante não possam abrir o centro todos
os dias: no tempo de chuva o soalho sofreria
um desgaste difícil de recuperar. Mas pareceme
que seria possível colocar o essencial dos
conteúdos online, de preferência também em
inglês.
O Centro Interpretativo é um espaço com uma
bonita arquitetura, muito original, onde pode
ficar a saber mais sobre os 3 eixos temáticos
que tornam o lugar de S. Paio único: geologia,
arqueologia e biodiversidade.
O que faz a riqueza do S. Paio são todos estes
aspetos, enquadrados por um cenário
magnífico.
Cada vez que assistimos a um belo pôr do sol,
ou nos encantámos com os as ondas a
desfazerem-se em espuma contra as escarpas,
saímos dali com a alma lavada e os olhos mais
despertos para a beleza do mundo.
O S. Paio é uma espécie de coração ecológico
de Labruge, resumindo toda a beleza da
freguesia.
Dentro desse coração, o Centro
Interpretativo funciona como um livro de
instruções para melhor entendermos a
paisagem... e para melhor podermos amá-la!
Research Interests:
O trecho costeiro de S. Paio, Vila do Conde, constitui uma área de grande interesse geomorfológico, graças à conservação de diversos testemunhos das variações do nível do mar e da evolução climática durante o final do Quaternário, num... more
O trecho costeiro de S. Paio, Vila do Conde, constitui uma área de grande interesse
geomorfológico, graças à conservação de diversos testemunhos das variações do nível do
mar e da evolução climática durante o final do Quaternário, num cenário com uma forte
influência da estrutura geológica. Aplicámos novas tecnologias no seu estudo,
nomeadamente na aquisição de dados aerofotogramétricos com recurso a um Veículo
Autónomo Não-tripulado (modelo DV6-S). Realizaram-se dois voos que permitiram a
obtenção de fotografias aéreas de alta resolução (2cm de pixel) e com um elevado grau de
sobreposição. Recorrendo ao software Agisoft PhotoScan foram gerados ortofotos globais do
setor e criados MDS de grande pormenor, onde se observam, com grande detalhe,
elementos geomorfológicos e geológicos tais como: descontinuidades, contactos litológicos e
filões. Estes elementos foram posteriormente cartografados no software ArcGIS 10.2.2,
originando uma cartografia temática de grande escala. A utilização de VANTs revela-se muito
vantajosa, uma vez que os custos e o tempo requerido para a recolha e processamento de
dados são reduzidos.
geomorfológico, graças à conservação de diversos testemunhos das variações do nível do
mar e da evolução climática durante o final do Quaternário, num cenário com uma forte
influência da estrutura geológica. Aplicámos novas tecnologias no seu estudo,
nomeadamente na aquisição de dados aerofotogramétricos com recurso a um Veículo
Autónomo Não-tripulado (modelo DV6-S). Realizaram-se dois voos que permitiram a
obtenção de fotografias aéreas de alta resolução (2cm de pixel) e com um elevado grau de
sobreposição. Recorrendo ao software Agisoft PhotoScan foram gerados ortofotos globais do
setor e criados MDS de grande pormenor, onde se observam, com grande detalhe,
elementos geomorfológicos e geológicos tais como: descontinuidades, contactos litológicos e
filões. Estes elementos foram posteriormente cartografados no software ArcGIS 10.2.2,
originando uma cartografia temática de grande escala. A utilização de VANTs revela-se muito
vantajosa, uma vez que os custos e o tempo requerido para a recolha e processamento de
dados são reduzidos.
Research Interests:
A área S. Paio corresponde a 2 pequenos afloramentos rochosos situados na costa norte de Portugal, cerca de 15km a Norte da foz do Douro. Trata-se de um local onde foi encontrado um castro da Idade do Ferro. Além disso tem múltiplos... more
A área S. Paio corresponde a 2 pequenos afloramentos rochosos situados na costa norte de Portugal,
cerca de 15km a Norte da foz do Douro. Trata-se de um local onde foi encontrado um castro da Idade
do Ferro. Além disso tem múltiplos interesses sob o ponto de vista geomorfológico: arribas rectilíneas
e praticamente verticais (prováveis planos de falha), restos de depósitos marinhos a várias altitudes e
outras fonnas muito interessantes, como uma sapa fóssil situada a 9m. A motfologia sugere
fortemente a existência de um levantamento de conjwuo que possa explicar o escalona.mento de
depósitos. Porém essa hipótese implica a necessidade de datações por OSL, em curso. A atribuição de
cotas precisas através de um GPS com correção diferencial e a utilização um ortofotomapa de alta
resolução, obtido através de um V ART permitiu um aperfeiçoamento do conhecimento da topografia
e uma ainda maior visibilidade dos respectivos controlos estruturais.
cerca de 15km a Norte da foz do Douro. Trata-se de um local onde foi encontrado um castro da Idade
do Ferro. Além disso tem múltiplos interesses sob o ponto de vista geomorfológico: arribas rectilíneas
e praticamente verticais (prováveis planos de falha), restos de depósitos marinhos a várias altitudes e
outras fonnas muito interessantes, como uma sapa fóssil situada a 9m. A motfologia sugere
fortemente a existência de um levantamento de conjwuo que possa explicar o escalona.mento de
depósitos. Porém essa hipótese implica a necessidade de datações por OSL, em curso. A atribuição de
cotas precisas através de um GPS com correção diferencial e a utilização um ortofotomapa de alta
resolução, obtido através de um V ART permitiu um aperfeiçoamento do conhecimento da topografia
e uma ainda maior visibilidade dos respectivos controlos estruturais.
Research Interests:
Estou certa de que todos os labrugenses o conhecem e têm orgulho no Castro de S. Paio (fig. 1). Já lá foram inúmeras vezes e deixaram-se enfeitiçar pela beleza dos pores do sol, pelo caráter ainda selvagem e quase intocado da paisagem. Já... more
Estou certa de que todos os labrugenses o conhecem
e têm orgulho no Castro de S. Paio (fig. 1). Já lá
foram inúmeras vezes e deixaram-se enfeitiçar pela
beleza dos pores do sol, pelo caráter ainda selvagem
e quase intocado da paisagem. Já conhecem a
importância do castro até porque quase todos
assistiram às escavações realizadas nos anos
noventa do século XX, sob os auspícios da Câmara
Municipal de Vila do Conde. Também se
aperceberam da rica biodiversidade (ver Labruginho
nº 2).
Devido ao seu caráter isolado e quase virgem
encontram-se ali plantas e animais pouco
frequentes. Quase todos terão visto os magníficos
lagartos que se escondem sob algumas pedras. Até
sabem que há víboras e que é preciso algum
cuidado.
Então que mais há para dizer?
Às vezes não vemos o mais óbvio, a paisagem em
que tudo isto se insere.
O que há a dizer sobre a paisagem? Ela esta lá,
pronto!
Calma!
Em primeiro lugar, a paisagem de S. Paio é o que
mais nos atrai; depois as condições do sítio são o
que fazem deste um lugar isolado e ainda
preservado.
Foram o isolamento e o relevo que lhe deram um
caráter defensivo que levou a que os castrejos se
instalassem. E foram essas as mesmas
características que permitiram a sua conservação.
Mas há mais: é que S. Paio encerra um verdadeiro
tesouro geomorfológico!
Dificilmente alguém terá visto arribas tão altas e
tão retilíneas. Dir-se-ia cortadas à faca… E é
verdade! Foram cortadas pelas forças internas da
Terra, a tectónica.
Algo de que todos já ouvimos falar a propósito da
chamada “tectónica de placas”. Esta teoria diz-nos
que a Terra está num “perpétuo movimento”,
como diria o António Gedeão. É essa movimentação
que cria as cadeias de montanhas.
Se compararmos a praia de S. Paio com as outras
praias das redondezas percebemos que é uma costa
muito mais alta...
Será que o que provocou o relevo alteroso, que
tanto nos encanta quando o mar se desfaz em
espuma contra as suas arribas, é a mesma causa
que faz aparecer as montanhas? Como podemos
sabê-lo?
Tenho que explicar alguns conceitos simples do meu
ofício de geomorfóloga: existem em S. Paio áreas
em que as rochas estão bastante aplanadas, o que
muito contrasta com as arribas talhadas “à faca”
no granito...
Acontece que nessas áreas aplanadas existem
relíquias muito interessantes: restos de areias e
calhauzinhos que só podem ter sido deixados pelo
mar quando ele estava a um nível mais alto,
desenvolvendo as tais aplanações na rocha. Mais do
que isso, esses calhauzinhos (fig. 2) estão por vezes a
preencher formas escavadas na rocha, as “sapas”
(fig. 3). Estas formas entalhadas na rocha são uma
prova inequívoca de que foi o mar que as escavou…
Assunção Araújo - Professora Catedrática no Departamento de
Geografia da FLUP e Investigadora no Centro de Estudos de Geografia
e Ordenamento do Território.
E-mail: m.a.araujo@netcabo.pt
Portanto, uma vez que temos algumas sapas acima
do nível atual do mar (fig. 4), o nível do mar já
esteve mais alto que atualmente.
Mas há mais: acontece que esses testemunhos do
estacionamento do mar se encontram a diversas
altitudes. Se admitirmos que se trata de restos de
praias antigas da mesma idade (algo que vamos
tentar comprovar através de datações sofisticadas),
então depois de elas se terem formado o terreno
desnivelou-se.
Talvez seja isso que explica esta magnífica paisagem,
com as arribas mais elevadas no Norte de Portugal!
Esta ideia de que o morro do vértice geodésico pode
estar a subir ao longo do tempo geológico (algo
como 0,15 mm por ano ou cerca de 15 cm por
milénio) é uma ideia relativamente inovadora e que
está de acordo com as novas teorias sobre a
evolução da Terra e a importância da tectónica
recente (neotectónica).
Assim, acontece que em S. Paio temos todos os
elementos para tentar comprovar essa ideia
“revolucionária”: formas espetaculares (fig. 3),
separadas por paredes subverticais (fig. 1), que
sugerem fortemente uma origem na tectónica
recente... E por isso um magnifico local para estudo
e investigação.
Como todos sabem está aberto ao público, desde
agosto de 2013, um centro de interpretação. No
painel interativo que vos convido a consultar,
poderão encontrar mais informação sobre estes e
outros temas!
e têm orgulho no Castro de S. Paio (fig. 1). Já lá
foram inúmeras vezes e deixaram-se enfeitiçar pela
beleza dos pores do sol, pelo caráter ainda selvagem
e quase intocado da paisagem. Já conhecem a
importância do castro até porque quase todos
assistiram às escavações realizadas nos anos
noventa do século XX, sob os auspícios da Câmara
Municipal de Vila do Conde. Também se
aperceberam da rica biodiversidade (ver Labruginho
nº 2).
Devido ao seu caráter isolado e quase virgem
encontram-se ali plantas e animais pouco
frequentes. Quase todos terão visto os magníficos
lagartos que se escondem sob algumas pedras. Até
sabem que há víboras e que é preciso algum
cuidado.
Então que mais há para dizer?
Às vezes não vemos o mais óbvio, a paisagem em
que tudo isto se insere.
O que há a dizer sobre a paisagem? Ela esta lá,
pronto!
Calma!
Em primeiro lugar, a paisagem de S. Paio é o que
mais nos atrai; depois as condições do sítio são o
que fazem deste um lugar isolado e ainda
preservado.
Foram o isolamento e o relevo que lhe deram um
caráter defensivo que levou a que os castrejos se
instalassem. E foram essas as mesmas
características que permitiram a sua conservação.
Mas há mais: é que S. Paio encerra um verdadeiro
tesouro geomorfológico!
Dificilmente alguém terá visto arribas tão altas e
tão retilíneas. Dir-se-ia cortadas à faca… E é
verdade! Foram cortadas pelas forças internas da
Terra, a tectónica.
Algo de que todos já ouvimos falar a propósito da
chamada “tectónica de placas”. Esta teoria diz-nos
que a Terra está num “perpétuo movimento”,
como diria o António Gedeão. É essa movimentação
que cria as cadeias de montanhas.
Se compararmos a praia de S. Paio com as outras
praias das redondezas percebemos que é uma costa
muito mais alta...
Será que o que provocou o relevo alteroso, que
tanto nos encanta quando o mar se desfaz em
espuma contra as suas arribas, é a mesma causa
que faz aparecer as montanhas? Como podemos
sabê-lo?
Tenho que explicar alguns conceitos simples do meu
ofício de geomorfóloga: existem em S. Paio áreas
em que as rochas estão bastante aplanadas, o que
muito contrasta com as arribas talhadas “à faca”
no granito...
Acontece que nessas áreas aplanadas existem
relíquias muito interessantes: restos de areias e
calhauzinhos que só podem ter sido deixados pelo
mar quando ele estava a um nível mais alto,
desenvolvendo as tais aplanações na rocha. Mais do
que isso, esses calhauzinhos (fig. 2) estão por vezes a
preencher formas escavadas na rocha, as “sapas”
(fig. 3). Estas formas entalhadas na rocha são uma
prova inequívoca de que foi o mar que as escavou…
Assunção Araújo - Professora Catedrática no Departamento de
Geografia da FLUP e Investigadora no Centro de Estudos de Geografia
e Ordenamento do Território.
E-mail: m.a.araujo@netcabo.pt
Portanto, uma vez que temos algumas sapas acima
do nível atual do mar (fig. 4), o nível do mar já
esteve mais alto que atualmente.
Mas há mais: acontece que esses testemunhos do
estacionamento do mar se encontram a diversas
altitudes. Se admitirmos que se trata de restos de
praias antigas da mesma idade (algo que vamos
tentar comprovar através de datações sofisticadas),
então depois de elas se terem formado o terreno
desnivelou-se.
Talvez seja isso que explica esta magnífica paisagem,
com as arribas mais elevadas no Norte de Portugal!
Esta ideia de que o morro do vértice geodésico pode
estar a subir ao longo do tempo geológico (algo
como 0,15 mm por ano ou cerca de 15 cm por
milénio) é uma ideia relativamente inovadora e que
está de acordo com as novas teorias sobre a
evolução da Terra e a importância da tectónica
recente (neotectónica).
Assim, acontece que em S. Paio temos todos os
elementos para tentar comprovar essa ideia
“revolucionária”: formas espetaculares (fig. 3),
separadas por paredes subverticais (fig. 1), que
sugerem fortemente uma origem na tectónica
recente... E por isso um magnifico local para estudo
e investigação.
Como todos sabem está aberto ao público, desde
agosto de 2013, um centro de interpretação. No
painel interativo que vos convido a consultar,
poderão encontrar mais informação sobre estes e
outros temas!
Research Interests:
A geomorfologia estuda as formas de relevo que se desenvolvem à superfície da Terra. De um modo geral, as formas do relevo resultam da interação dos fenómenos atmosféricos com superfície da Terra. Essa interação é mediada pela Biosfera... more
A geomorfologia estuda as formas de relevo que se desenvolvem à superfície da Terra. De um
modo geral, as formas do relevo resultam da interação dos fenómenos atmosféricos com
superfície da Terra. Essa interação é mediada pela Biosfera (solos, vegetação .. ).,
Quando falamos da zona costeira há um outro factor muito importante que torna bastante mais
complexa a evolução e interpretação da paisagem.
Tratando-se de uma faixa de contacto com o mar, este não só interfere através da sua dinâmica
própria (ondas, correntes e marés), por sua vez influenciada pelas condições meteorológicas,
como também de uma forma mais subtil e a mais longo prazo, através das variações do nível do
mar que se fizeram sentir durante o tempo geológico, a diversas escalas crono-espaciais.
Para exemplificar a importância da situação atmosférica nada melhor do que as sucessivas
tempestades que se fizeram sentir na costa portuguesa durante o inverno de 2014. Tratou-se de
ondas muito altas e com um grande período que originaram fenómenos de inundação e de
erosão acentuada em muitos pontos da costa portuguesa.
Acresce a isso o facto de se terem sucedido diversas tempestades, com intervalos curtos. Por
isso as praias não puderam regenerar-se. Pelo contrário, estiveram expostas repetidamente a
uma ondulação muito energética, numa situação de debilidade cada vez mais acentuada.
Todavia nem todas as tempestades foram igualmente destruidoras. Foram-no, sobretudo,
aquelas em que o pico da ondulação coincidiu aproximadamente com marés altas ou com marés
altas vivas. No fundo é a coincidência de vários factores que cria "a tempestade perfeita".
O nível do mar está sempre em mudança. As variações do nível do mar acontecem em escalas
muito diversas. Desde as marés (vivas, mortas, equinociais), passando por sobrelevações de
origem meteorológica (storm surges). Porém, há variações mais longas que vão acontecendo ao
longo das décadas ou dos milénios. Muitas delas são provocadas por variações climáticas.
Outras, de período muito longo (dezenas/centenas de milhões de anos), são devidas à
movimentação dos continentes (tectónica de placas: abertura/fecho de novos oceanos).
Uma vez que as variações do nível do mar são medidas, geralmente, em relação a um ponto, supostamente fixo (marégrafo), se o local onde o marégrafo se implanta estiver a sofrer algum
movimento (tectónica/isostasia) as variações do nível do mar poderão ter sentidos aparentemente
opostos (exemplo: Estocolmo/Cascais). Por isso as variações do nível do mar devem considerarse
sempre relativas.
As características do continente que entra em contacto com o mar definem muito da sua
fisionomia: as costas rochosas apresentam uma imensa variedade, muito ancorada na respectiva
litologia. Os litorais arenosos das regiões tropicais são muito diferentes dos litorais das regiões
temperadas ou das regiões que sofreram glaciações no Quaternário. Em muitos casos, as paisagens que observamos são heranças de climas vigentes durante as glaciações do
Quaternário (fiordes) ou de um diferente posicionamento do nível do mar (praias levantadas).
O estudo da zona costeira tem que levar em conta toda essa dinâmica, que se torna
particularmente relevante quando se pretende intervir na linha de costa ou na sua proximidade
construindo portos, defesas costeiras ou mesmo hotéis.
Sabemos que a combinação aleatória de diversos factores pode originar situações muito
gravosas, como aquelas que se verificaram no último inverno na costa portuguesa.
O princípio da precaução deveria nortear todas as intervenções na zona costeira que funciona
sempre como um todo dinâmico onde qualquer intervenção num local pode ter repercussões em
áreas adjacentes ou mesmo em sectores situados a distâncias significativas.
modo geral, as formas do relevo resultam da interação dos fenómenos atmosféricos com
superfície da Terra. Essa interação é mediada pela Biosfera (solos, vegetação .. ).,
Quando falamos da zona costeira há um outro factor muito importante que torna bastante mais
complexa a evolução e interpretação da paisagem.
Tratando-se de uma faixa de contacto com o mar, este não só interfere através da sua dinâmica
própria (ondas, correntes e marés), por sua vez influenciada pelas condições meteorológicas,
como também de uma forma mais subtil e a mais longo prazo, através das variações do nível do
mar que se fizeram sentir durante o tempo geológico, a diversas escalas crono-espaciais.
Para exemplificar a importância da situação atmosférica nada melhor do que as sucessivas
tempestades que se fizeram sentir na costa portuguesa durante o inverno de 2014. Tratou-se de
ondas muito altas e com um grande período que originaram fenómenos de inundação e de
erosão acentuada em muitos pontos da costa portuguesa.
Acresce a isso o facto de se terem sucedido diversas tempestades, com intervalos curtos. Por
isso as praias não puderam regenerar-se. Pelo contrário, estiveram expostas repetidamente a
uma ondulação muito energética, numa situação de debilidade cada vez mais acentuada.
Todavia nem todas as tempestades foram igualmente destruidoras. Foram-no, sobretudo,
aquelas em que o pico da ondulação coincidiu aproximadamente com marés altas ou com marés
altas vivas. No fundo é a coincidência de vários factores que cria "a tempestade perfeita".
O nível do mar está sempre em mudança. As variações do nível do mar acontecem em escalas
muito diversas. Desde as marés (vivas, mortas, equinociais), passando por sobrelevações de
origem meteorológica (storm surges). Porém, há variações mais longas que vão acontecendo ao
longo das décadas ou dos milénios. Muitas delas são provocadas por variações climáticas.
Outras, de período muito longo (dezenas/centenas de milhões de anos), são devidas à
movimentação dos continentes (tectónica de placas: abertura/fecho de novos oceanos).
Uma vez que as variações do nível do mar são medidas, geralmente, em relação a um ponto, supostamente fixo (marégrafo), se o local onde o marégrafo se implanta estiver a sofrer algum
movimento (tectónica/isostasia) as variações do nível do mar poderão ter sentidos aparentemente
opostos (exemplo: Estocolmo/Cascais). Por isso as variações do nível do mar devem considerarse
sempre relativas.
As características do continente que entra em contacto com o mar definem muito da sua
fisionomia: as costas rochosas apresentam uma imensa variedade, muito ancorada na respectiva
litologia. Os litorais arenosos das regiões tropicais são muito diferentes dos litorais das regiões
temperadas ou das regiões que sofreram glaciações no Quaternário. Em muitos casos, as paisagens que observamos são heranças de climas vigentes durante as glaciações do
Quaternário (fiordes) ou de um diferente posicionamento do nível do mar (praias levantadas).
O estudo da zona costeira tem que levar em conta toda essa dinâmica, que se torna
particularmente relevante quando se pretende intervir na linha de costa ou na sua proximidade
construindo portos, defesas costeiras ou mesmo hotéis.
Sabemos que a combinação aleatória de diversos factores pode originar situações muito
gravosas, como aquelas que se verificaram no último inverno na costa portuguesa.
O princípio da precaução deveria nortear todas as intervenções na zona costeira que funciona
sempre como um todo dinâmico onde qualquer intervenção num local pode ter repercussões em
áreas adjacentes ou mesmo em sectores situados a distâncias significativas.
Research Interests:
1. Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves 2. Quinta de Marques Gomes – Depósito fluvial 3. Marina Afurada, Centro de Interpretação 4. Depósito Rua da Pedra Torta (18m) 5. Depósito Praia das Pedras Amarelas (5m) 6. Exutor... more
1. Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves
2. Quinta de Marques Gomes – Depósito fluvial
3. Marina Afurada, Centro de Interpretação
4. Depósito Rua da Pedra Torta (18m)
5. Depósito Praia das Pedras Amarelas (5m)
6. Exutor submarino
7. Praia Atlântico: erosão, depósitos marinhos/solifluxivos
8. Francelos
9. Estação Litoral da Aguda
10. Praia da Granja
2. Quinta de Marques Gomes – Depósito fluvial
3. Marina Afurada, Centro de Interpretação
4. Depósito Rua da Pedra Torta (18m)
5. Depósito Praia das Pedras Amarelas (5m)
6. Exutor submarino
7. Praia Atlântico: erosão, depósitos marinhos/solifluxivos
8. Francelos
9. Estação Litoral da Aguda
10. Praia da Granja
Research Interests:
Introdução A área do S. Paio destaca-se no litoral, geralmente baixo, do norte de Portugal por ser constituída por 2 afloramentos rochosos essencialmente graníticos separados por uma pequena praia (cerca de 75 m de largura), a “praia dos... more
Introdução
A área do S. Paio destaca-se no litoral, geralmente baixo, do norte de Portugal por ser constituída por 2 afloramentos rochosos essencialmente graníticos separados por uma pequena praia (cerca de 75 m de largura), a “praia dos Castros”. O vértice geodésico (20m na base) corresponde ao ponto mais alto da linha de costa entre Caminha e o cabo Mondego. A orientação geral dos afloramentos rochosos do S. Paio coincide com a direção de fracturação tardi-hercínica NNE-SSW, que é uma das que mais importância tem no Norte de Portugal (Vega e de Vicente, 2010). Estes afloramentos parecem cortados à faca, constituindo, em muitos casos “arribas” quase verticais e mergulhantes
A área do S. Paio destaca-se no litoral, geralmente baixo, do norte de Portugal por ser constituída por 2 afloramentos rochosos essencialmente graníticos separados por uma pequena praia (cerca de 75 m de largura), a “praia dos Castros”. O vértice geodésico (20m na base) corresponde ao ponto mais alto da linha de costa entre Caminha e o cabo Mondego. A orientação geral dos afloramentos rochosos do S. Paio coincide com a direção de fracturação tardi-hercínica NNE-SSW, que é uma das que mais importância tem no Norte de Portugal (Vega e de Vicente, 2010). Estes afloramentos parecem cortados à faca, constituindo, em muitos casos “arribas” quase verticais e mergulhantes
Research Interests:
Abstract This paper presents some data concerning marine and lagoon sequences from last interglacial and Holocene visible at outcrops near Oporto. The best outcrop of Eemien deposits stays at Circunvalação beach and recently, the spring... more
Abstract This paper presents some data concerning marine and lagoon sequences from last interglacial and Holocene visible at outcrops near Oporto. The best outcrop of Eemien deposits stays at Circunvalação beach and recently, the spring tides associated with a stormy weather allowed us to see a better perspective of the sequence and to understand its stratigraphy. After the construction of a detached sea wall at Aguda beach at the spring 2002, the intense erosion southward showed one of the most interesting sequences we ever found. An Eemien deposit, close to 1m above mean sea level (MSL), quite lower than in other places where it is around 5‐3m above MSL, was superposed by lagoon deposits. The top of a continental lagoon sequence, with a blackish color was TL dated (8.67 ± 0.78 ka). And upon this blackish deposits another marine deposit locally iron cemented appeared at altitudes around 5m. This iron cemented deposit must represent the Holocene transgression, and its situation at a higher altitude than the Eemien deposits means that in this peculiar place Holocene iron cemented marine deposits are laying over Eemien and Würmien sequences. Resumo Este artigo apresenta alguns dados sobre sequências marinhas elagunares contemporâneas e posteriores ao último período interglaciar, que são visíveis em alguns afloramentos perto do Porto. Os melhores afloramentos de depósitos Eemianos situam‐se na praia da Circunvalação e as marés equinociais deste Outono associadas a uma tempestade permitiram ter uma perspectiva melhor da sequência e compreender a sua estratigrafia, comprovando a existência de depósitos de tipo lagunar, de cor esverdeada, situados sob os depósitos marinhos. Por outro lado, após a construção de um quebra‐mar destacado na praia da Aguda na Primavera de 2002, a intensa erosão a sul permitiu a observação de uma sequência muito interessante. Um depósito Eemiano, cerca de 1m acima do nível médio do mar (MSL), a cotas bastante inferiores às suas cotas " normais " (cerca de 5‐3m acima do MSL), encontra‐se sobreposto por depósitos lagunares. O topo da seqüência lagunar, de cor negra, foi datado por termoluminescência de 8.67 ± 0.78 ka. Sobre este depósito de cor escura, rico em matéria orgânica, encontra‐se um outro depósito marinho, localmente cimentado por ferro, a altitudes de cerca de 5m. Este depósito representa, necessariamente, a transgressão do Holocénico, e a sua situação a uma altitude superior à dos depósitos Eemianos significa que, neste lugar peculiar, podem ocorrer depósitos marinhos holocénicos localmente cimentados por ferro sobre sequências Eemianas e Würmianas. Palavras‐Chave Eemiano, depósitos lagunares e marinhos, transgressão flandriana, paleovegetação. Introdução Uma das conclusões que reputamos mais relevantes do trabalho de Araújo (1991), foi a hipótese de uma descida para sul do compartimento ocidental da plataforma litoral, que corresponderia a uma espécie de balanceamento em direcção à Orla Ocidental meso‐cenozóica. Esta deformação parecia comprovar‐se com diversos dados, relativos quer à morfologia (ocorrência de sectores de costa mais ou menos alta a norte e sua ausência a sul) quer a uma progressiva diminuição da cota a que ocorrem os depósitos presumivelmente do último interglaciar. A ocorrência de depósitos marinhos Eemianos, na praia da Aguda, a cota muito baixa (cerca de 1m) parece comprovar essa hipótese.
Research Interests:
De um modo geral, os litorais arenosos têm atraído mais a atenção dos investigadores do que os litorais rochosos. Todavia, trata-se de um tema de estudo da maior importância por várias razões. Na verdade, trata-se de litorais mais... more
De um modo geral, os litorais arenosos têm atraído mais a atenção dos investigadores do que os litorais rochosos. Todavia, trata-se de um tema de estudo da maior importância por várias razões. Na verdade, trata-se de litorais mais frequentes do que geralmente se pensa (Sunamura, 1992, Trenhaile 2009). Por outro lado, mesmo quando estamos em presença de litorais arenosos, muitas vezes, subjacente a eles, existe um substrato rochoso que aflora periodicamente, na sequência de períodos de agitação marítima intensa. As plataformas de erosão marinha de tipo A, segundo Sunamura (1992), apresentam uma relação bastante bem definida com o nível médio do mar: elas tendem a desenvolver-se entre o nível médio das marés baixas e o nível médio das marés altas. Essa ideia tem vindo a ser confirmada por trabalhos já realizados na área em estudo. Porém, o desenvolvimento destas formas não pode ser visto de um modo meramente estático; o nível do mar tem que ser visto como algo de relativo que depende, por um lado, das variações eustáticas e, por outro, de vários fenómenos, de tipo diastrófico, com sede no continente. Daí que o registo geomorfológico, conhecendo-se, de uma forma geral, a curva das variações do mar, possa dar indicações sobre o sentido dos eventuais movimentos tectónicos em acção nos diferentes troços litorais. Nesse sentido, as plataformas de erosão marinha correspondem a elementos geomorfológicos relativamente duráveis, muitas vezes resistentes aos fenómenos erosivos que se processam quando o nível do mar desce (em termos relativos) constituindo, assim, um registo de informações preciosas para a compreensão da evolução do nível do mar. Muitas vezes, como foi o caso do inverno de 2009-2010, graças a uma agitação marítima pouco usual (em Fevereiro, a bóia ondógrafo de Leixões registou alturas máximas da ondulação de quase 14m), os fenómenos de erosão das praias acentuam-se e, em certos locais da costa, o substrato rochoso aparece exumado da sua cobertura arenosa e pode, assim, estudar-se com a sua morfologia de pormenor. Além disso, sobre esse substrato rochoso é comum observarem-se alguns depósitos relíquia, essenciais para a identificação das condições paleoambientais que presidiram à evolução da linha de costa. Aproveitámos, sempre que possível, os períodos de marés vivas para levar a cabo um trabalho de campo tão exaustivo quanto possível, tentando encontrar os afloramentos rochosos e os depósitos existentes sob a cobertura de areias de praias. Além do registo fotográfico pertinente realizámos através de um GPS Leica SR20, com correcção diferencial, a geo-referenciação dos pontos, linhas e áreas com interesse geomorfológico, incluindo a determinação das respectivas altitudes ortométricas. O principal objectivo deste trabalho relaciona-se com a necessidade de comprovar efectivamente as altitudes a que se desenvolvem, em diferentes tipos de rochas, as plataformas de erosão marinha e outras formas litorais como as " sapas " , de molde a estabelecer para a área em estudo, situada entre a foz do Rio Ave e a latitude de Espinho, e nos diferentes tipos de rocha que aí se podem encontrar, as características e perfis topográficos de pormenor das plataformas de erosão marinha actuais. A partir desses resultados será possível ajuizar se essas plataformas se podem relacionar com o nível do mar actual, ou se, pelo contrário, os seus limites altimétricos estão fora dos limites que correspondem às plataformas actuais e terão,
Research Interests: Geology and Geomorphology
ARAÚJO, M. A. and GOMES, A., 2009. The use of the GPS in the identification of fossil shore platforms and its tectonic deformation: an example from the Northern Portuguese coast. Journal of Coastal Research, SI 56 (Proceedings of the 10th... more
ARAÚJO, M. A. and GOMES, A., 2009. The use of the GPS in the identification of fossil shore platforms and its tectonic deformation: an example from the Northern Portuguese coast. Journal of Coastal Research, SI 56 (Proceedings of the 10th International Coastal Symposium), 688-692. Lisbon, Portugal, ISBN 0749-0208 Since more than 20 years we have the strong impression that recent tectonics may be active in the northern coastal zone of Portugal. This assumption is compatible with several recent studies on this matter. However, to prove the incidence of recent tectonics, we must find unequivocal deformation marks on the geomorphologic surfaces and on the Pleistocene deposits. Moreover, the deformed surfaces/deposits must be dated. This poses several difficulties as the marine deposits could not be dated by TL and OSL is quite problematic due to the small thickness of the beds and its iron cemented character. In order to overcome these issues, the study of Quaternary sedimentary deposits of the coastal zone of Porto was based upon a very detailed fieldwork and the accurate altitude definition with a GPS (Leica SR20). The use of a static reference to correct the data obtained with the mobile receptor (rover) allowed us to obtain a good precision on the altitude of significant geomorphologic points. This procedure allowed us to characterize the several marine platforms along this coastline and perform some detailed profiles of rock outcrops emerging from sand beaches. Studying the geomorphologic development of present day platforms and its relationship with tidal levels, it was possible to identify some rare tiny platform remains standing above actual platforms (possible Flandrian) and also the more frequent and generally deposit bearing Eemien platform. This work suggests that the last interglacial marine deposits have suffered some tectonic disturbance as they appear at quite different altitudes along this coastal zone. Furthermore, its altitude accompanies the general trend of geomorphologic features: the higher coastal sectors generally bearing higher coastal deposits and higher fossil platforms.
Research Interests:
Nos dias 10 e 11 de Dezembro de 2007 realizou-se um Workshop intitulado ‘e-Learning@UP’ no auditório da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Neste Workshop foram apresentadas cinco conferências por oradores convidados e ainda... more
Nos dias 10 e 11 de Dezembro de 2007 realizou-se um Workshop intitulado
‘e-Learning@UP’ no auditório da Faculdade de Desporto da Universidade do
Porto.
Neste Workshop foram apresentadas cinco conferências por oradores
convidados e ainda onze casos de estudo levados a cabo por docentes da UP.
Dado o entusiasmo com que aderimos ao projecto de e-learning decidimos
concorrer ao prémio de excelência em e-learning proposto pela UP.
Esse concurso implicava a apresentação de um relatório circunstanciado,
subordinado a uma estrutura previamente definida. O texto integral está em
vias de publicação, em DVD, pelos serviços da U.P. As comunicações e a
respectiva discussão estão disponíveis em vídeo e os Power Points das comunicações
podem ser descarregados no site criado para o efeito.2
Esta nota resulta de uma síntese e de uma reflexão sobre o relatório acima.
Pareceu-nos pertinente fazê-lo por diversas ordens de razões:
1. Abranger um auditório diferente do DVD acima referido;
2. Divulgar e interessar os colegas pela nossa experiência em elearning
e, mais concretamente, no Moodle, para que, na FLUP e
no departamento de Geografia em particular, haja um aumento do
número das cadeiras disponíveis em e-learning;
3. Reflectir, com um maior distanciamento temporal, e assumir a
nossa experiência em e-learning;
4. Reflectir sobre as dificuldades da Geografia Física nos actuais
curricula do curso de Geografia;
5. Relatar a nossa experiência com o Moodle e a forma como algumas
dessas dificuldades foram minoradas.
‘e-Learning@UP’ no auditório da Faculdade de Desporto da Universidade do
Porto.
Neste Workshop foram apresentadas cinco conferências por oradores
convidados e ainda onze casos de estudo levados a cabo por docentes da UP.
Dado o entusiasmo com que aderimos ao projecto de e-learning decidimos
concorrer ao prémio de excelência em e-learning proposto pela UP.
Esse concurso implicava a apresentação de um relatório circunstanciado,
subordinado a uma estrutura previamente definida. O texto integral está em
vias de publicação, em DVD, pelos serviços da U.P. As comunicações e a
respectiva discussão estão disponíveis em vídeo e os Power Points das comunicações
podem ser descarregados no site criado para o efeito.2
Esta nota resulta de uma síntese e de uma reflexão sobre o relatório acima.
Pareceu-nos pertinente fazê-lo por diversas ordens de razões:
1. Abranger um auditório diferente do DVD acima referido;
2. Divulgar e interessar os colegas pela nossa experiência em elearning
e, mais concretamente, no Moodle, para que, na FLUP e
no departamento de Geografia em particular, haja um aumento do
número das cadeiras disponíveis em e-learning;
3. Reflectir, com um maior distanciamento temporal, e assumir a
nossa experiência em e-learning;
4. Reflectir sobre as dificuldades da Geografia Física nos actuais
curricula do curso de Geografia;
5. Relatar a nossa experiência com o Moodle e a forma como algumas
dessas dificuldades foram minoradas.
Research Interests:
Resumo Apresentamos o estudo de depósitos do litoral da região do Porto, incluindo datações por termoluminescência, bem como um pormenorizado levantamento topográfico geo-referenciado por GPS de precisão. O principal objectivo deste... more
Resumo Apresentamos o estudo de depósitos do litoral da região do Porto, incluindo datações por termoluminescência, bem como um pormenorizado levantamento topográfico geo-referenciado por GPS de precisão. O principal objectivo deste trabalho visou identificar distintas plataformas de erosão marinha, definindo a altimetria da plataforma actual, da escassamente conservada plataforma, presumivelmente, flandriana, bem como da plataforma correspondente, provavelmente, ao último interglaciar (Eemiano). O estudo permitiu confirmar as hipóteses de uma variação altimétrica apreciável nos depósitos correspondentes ao último interglaciar, atribuíveis à neotectónica. Palavras chave: Plataforma litoral, depósitos marinhos, datações por TL, GPS de precisão, Eemiano, Flandriano, neotectónica. Abstract The study of Quaternary sedimentary deposits of the coastal zone of Porto included a very detailed fieldwork and the accurate altitude definition with a GPS (Leica SR20). Luminescence dating of aeolian and lagoon deposits was performed to confirm our hypothesis about the deposits chronology and recent tectonic movements. However, the marine deposits can not be dated by TL and even OSL is quite problematic due to the small thickness of the beds. Our main goal is to characterize the several marine platforms along this coastline. It was possible to identify the present-day marine platform, some rare tiny flandrian platform remains and also the more frequent and generally deposit bearing Eemien platform. This work has proved that even the last interglacial marine deposits have suffered some tectonic disturbance as they appear at quite different altitudes along this coastal zone.
Research Interests:
Research Interests:
O 32º Congresso Internacional de Geologia realizou-se em Florença de 20 a 28 de Agosto de 2004. Tratou-se de uma realização de dimensões gigantescas. Foram aceites 3588 comunicações orais e 4834 comunicações em poster, o que representa um... more
O 32º Congresso Internacional de Geologia realizou-se em Florença de 20 a 28 de Agosto
de 2004. Tratou-se de uma realização de dimensões gigantescas. Foram aceites 3588
comunicações orais e 4834 comunicações em poster, o que representa um total de 84221.
A submissão de resumos foi feita on-line, com um número de caracteres pré-definido e
cuja ultrapassagem implicava a não aceitação pelo sistema. A submissão dos resumos online
implicou a respectiva normalização e facilitou a realização do CDROM contendo
toda a programação do congresso, as listas de participantes e os abstracts de todas as
comunicações orais e das comunicações em poster.
O congresso teve lugar na Fortezza da Basso, uma fortaleza construída em 1534 e que
marcou o regresso dos Médici ao poder. Aproveitando a extensa área muralhada foram
construídos, no seu interior, diversos pavilhões, constituindo, no seu conjunto, o centro
de congressos de Florença.
As dimensões do centro de congressos Fortezza da Basso asseguraram a instalação de 36
salas a funcionar em simultâneo, sendo que cada uma delas tinha uma lotação superior a
100 pessoas. Além disso, na sala principal, realizaram-se as sessões plenárias. Esta sala
(Cavaniglia) tinha capacidade para vários milhares de pessoas - todas elas com acesso à
visualização das apresentações tipo power point feitas através de data-show com sete
écrãs de projecção simultânea.
Os temas das sessões plenárias foram assunto de carácter muitas vezes mediático que, de
um modo geral, interessavam à grande maioria dos participantes, tais como “A respiração
interna da Terra: voláteis, tectónica de placas e clima”, ou “A torre inclinada de Pisa”, ou
os riscos vulcânicos, passando pelas relações entre o património cultural e a geologia e
pelas questões sempre muito mediáticas da “Global Change”.
de 2004. Tratou-se de uma realização de dimensões gigantescas. Foram aceites 3588
comunicações orais e 4834 comunicações em poster, o que representa um total de 84221.
A submissão de resumos foi feita on-line, com um número de caracteres pré-definido e
cuja ultrapassagem implicava a não aceitação pelo sistema. A submissão dos resumos online
implicou a respectiva normalização e facilitou a realização do CDROM contendo
toda a programação do congresso, as listas de participantes e os abstracts de todas as
comunicações orais e das comunicações em poster.
O congresso teve lugar na Fortezza da Basso, uma fortaleza construída em 1534 e que
marcou o regresso dos Médici ao poder. Aproveitando a extensa área muralhada foram
construídos, no seu interior, diversos pavilhões, constituindo, no seu conjunto, o centro
de congressos de Florença.
As dimensões do centro de congressos Fortezza da Basso asseguraram a instalação de 36
salas a funcionar em simultâneo, sendo que cada uma delas tinha uma lotação superior a
100 pessoas. Além disso, na sala principal, realizaram-se as sessões plenárias. Esta sala
(Cavaniglia) tinha capacidade para vários milhares de pessoas - todas elas com acesso à
visualização das apresentações tipo power point feitas através de data-show com sete
écrãs de projecção simultânea.
Os temas das sessões plenárias foram assunto de carácter muitas vezes mediático que, de
um modo geral, interessavam à grande maioria dos participantes, tais como “A respiração
interna da Terra: voláteis, tectónica de placas e clima”, ou “A torre inclinada de Pisa”, ou
os riscos vulcânicos, passando pelas relações entre o património cultural e a geologia e
pelas questões sempre muito mediáticas da “Global Change”.
Research Interests:
Research Interests:
APRESENTADO PARA PROVAS DE AGREGAÇÃO
Research Interests:
Until 1929, there was some warming. Then, the peaks of the higher temperatures began to go down. In 1971 and 1983 the average temperatures were similar to the ones of the end of the XIX century. There was, indeed, a rise in temperatures,... more
Until 1929, there was some warming. Then, the peaks of the higher temperatures began to go down. In 1971 and 1983 the average temperatures were similar to the ones of the end of the XIX century.
There was, indeed, a rise in temperatures, from the late nineties, with a peak at 2003. Then we see a smaller peak at 2010 and another at 2016.
If we analyze some other years of the satellite images we get the impression that the 2016 position of the glacier tongues is not very different from the most recent ones: maybe 2016 really means one of the most retreated positions of glaciers since the temperatures don’t seem
to be going up.
There was, indeed, a rise in temperatures, from the late nineties, with a peak at 2003. Then we see a smaller peak at 2010 and another at 2016.
If we analyze some other years of the satellite images we get the impression that the 2016 position of the glacier tongues is not very different from the most recent ones: maybe 2016 really means one of the most retreated positions of glaciers since the temperatures don’t seem
to be going up.
Satellite altimetry doesn’t seem the most adequate approach for evaluating sea level changes in coastal areas [2]. The tide gauge trends available at Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL) only give relative sea level information.... more
Satellite altimetry doesn’t seem the most adequate approach for evaluating sea level changes in coastal areas [2].
The tide gauge trends available at Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL) only give relative sea level information. The calculated trends are strongly affected by the length of the series [1]. On the other side, possible land movements taking place at tide gauge location must be evaluated.
Fig. 1A was constructed from the GPS trends for European stations available at SONEL site. There is a clear influence of post-glacial isostatic rebound in Scandinavia and northern England. To the south, almost all the stations have negative GPS signals. These subsiding processes will accentuate post Little Ice Age (LIA) sea level rise. There are some exceptions in southern Europe, where neotectonic movements may produce a localized uplift and GPS trends are quite different on nearby stations (southern Spain: Huelva, Tarifa, Ceuta, fig. 1A).
The real “eustatic” component must be understood as the difference between relative sea level changes (tide gauge data) and vertical GPS velocities [5]. The results obtained by this process for all European stations, discounting on the repeated ones, produces an average of 1,016 mm/year. This seems quite plausible and it is similar to the values calculated by Mörner [3].
At SONEL site there are maps showing the combined result of PSMSL with the GPS data for some selected stations. Fig. 1B shows the results for Iberia. For the elaboration of these maps, the ideal situation should be a tide gauge coupled with a GPS station exactly at the same place, or within a very small distance [4]. However, sometimes, the GPS data are obtained from points at significant distance from the tide gauge stations (10,75km for Huelva, 10,28km for Cadiz). So, the maps of SONEL site must be used with care and some criticism.
The tide gauge trends available at Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL) only give relative sea level information. The calculated trends are strongly affected by the length of the series [1]. On the other side, possible land movements taking place at tide gauge location must be evaluated.
Fig. 1A was constructed from the GPS trends for European stations available at SONEL site. There is a clear influence of post-glacial isostatic rebound in Scandinavia and northern England. To the south, almost all the stations have negative GPS signals. These subsiding processes will accentuate post Little Ice Age (LIA) sea level rise. There are some exceptions in southern Europe, where neotectonic movements may produce a localized uplift and GPS trends are quite different on nearby stations (southern Spain: Huelva, Tarifa, Ceuta, fig. 1A).
The real “eustatic” component must be understood as the difference between relative sea level changes (tide gauge data) and vertical GPS velocities [5]. The results obtained by this process for all European stations, discounting on the repeated ones, produces an average of 1,016 mm/year. This seems quite plausible and it is similar to the values calculated by Mörner [3].
At SONEL site there are maps showing the combined result of PSMSL with the GPS data for some selected stations. Fig. 1B shows the results for Iberia. For the elaboration of these maps, the ideal situation should be a tide gauge coupled with a GPS station exactly at the same place, or within a very small distance [4]. However, sometimes, the GPS data are obtained from points at significant distance from the tide gauge stations (10,75km for Huelva, 10,28km for Cadiz). So, the maps of SONEL site must be used with care and some criticism.
Research Interests:
Satellite altimetry doesn’t seem the most adequate approach for evaluating sea level changes in coastal areas [2]. The tide gauge trends available at Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL) only give relative sea level information.... more
Satellite altimetry doesn’t seem the most adequate approach for evaluating sea level changes in coastal areas [2].
The tide gauge trends available at Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL) only give relative sea level information. The calculated trends are strongly affected by the length of the series [1]. On the other side, possible land movements taking place at tide gauge location must be evaluated.
Fig. 1A was constructed from the GPS trends for European stations available at SONEL site. There is a clear influence of post-glacial isostatic rebound in Scandinavia and northern England. To the south, almost all the stations have negative GPS signals. These subsiding processes will accentuate post Little Ice Age (LIA) sea level rise. There are some exceptions in southern Europe, where neotectonic movements may produce a localized uplift and GPS trends are quite different on nearby stations (southern Spain: Huelva, Tarifa, Ceuta, fig. 1A).
The real “eustatic” component must be understood as the difference between relative sea level changes (tide gauge data) and vertical GPS velocities [5]. The results obtained by this process for all European stations, discounting on the repeated ones, produces an average of 1,016 mm/year. This seems quite plausible and it is similar to the values calculated by Mörner [3].
At SONEL site there are maps showing the combined result of PSMSL with the GPS data for some selected stations. Fig. 1B shows the results for Iberia. For the elaboration of these maps, the ideal situation should be a tide gauge coupled with a GPS station exactly at the same place, or within a very small distance [4]. However, sometimes, the GPS data are obtained from points at significant distance from the tide gauge stations (10,75km for Huelva, 10,28km for Cadiz). So, the maps of SONEL site must be used with care and some criticism.
The tide gauge trends available at Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL) only give relative sea level information. The calculated trends are strongly affected by the length of the series [1]. On the other side, possible land movements taking place at tide gauge location must be evaluated.
Fig. 1A was constructed from the GPS trends for European stations available at SONEL site. There is a clear influence of post-glacial isostatic rebound in Scandinavia and northern England. To the south, almost all the stations have negative GPS signals. These subsiding processes will accentuate post Little Ice Age (LIA) sea level rise. There are some exceptions in southern Europe, where neotectonic movements may produce a localized uplift and GPS trends are quite different on nearby stations (southern Spain: Huelva, Tarifa, Ceuta, fig. 1A).
The real “eustatic” component must be understood as the difference between relative sea level changes (tide gauge data) and vertical GPS velocities [5]. The results obtained by this process for all European stations, discounting on the repeated ones, produces an average of 1,016 mm/year. This seems quite plausible and it is similar to the values calculated by Mörner [3].
At SONEL site there are maps showing the combined result of PSMSL with the GPS data for some selected stations. Fig. 1B shows the results for Iberia. For the elaboration of these maps, the ideal situation should be a tide gauge coupled with a GPS station exactly at the same place, or within a very small distance [4]. However, sometimes, the GPS data are obtained from points at significant distance from the tide gauge stations (10,75km for Huelva, 10,28km for Cadiz). So, the maps of SONEL site must be used with care and some criticism.
Research Interests:
A preocupação com as variações do nível do mar está na ordem do dia. Na verdade a aprovação dos acordos de Paris, no final de 2015, veio reforçar a atualidade ao tema. Esta atualidade viu-se ainda acentuada com a recente decisão do... more
A preocupação com as variações do nível do mar está na
ordem do dia. Na verdade a aprovação dos acordos de Paris, no
final de 2015, veio reforçar a atualidade ao tema. Esta atualidade
viu-se ainda acentuada com a recente decisão do presidente
dos Estados Unidos a respeito dos ditos acordos.
Numa época de grande difusão da informação, parece-nos
que corremos o risco, como sociedade, de sermos afastados da
discussão de temas candentes devido ao seu carácter muito
especializado que o torna aparentemente inacessível. Da falta
de compreensão da ciência subjacente, ou de uma compreensão
demasiado simplista, resulta uma verdadeira ditadura das
ideias do mainstream, geralmente mal assimiladas e quase nunca
discutidas pelo público, que as aceita como verdades insofismáveis.
Parece-nos, por isso, que é útil fazer uma leitura dos
dados existentes e publicados, de forma a torná-los compreensíveis
por franjas mais largas do público.
ordem do dia. Na verdade a aprovação dos acordos de Paris, no
final de 2015, veio reforçar a atualidade ao tema. Esta atualidade
viu-se ainda acentuada com a recente decisão do presidente
dos Estados Unidos a respeito dos ditos acordos.
Numa época de grande difusão da informação, parece-nos
que corremos o risco, como sociedade, de sermos afastados da
discussão de temas candentes devido ao seu carácter muito
especializado que o torna aparentemente inacessível. Da falta
de compreensão da ciência subjacente, ou de uma compreensão
demasiado simplista, resulta uma verdadeira ditadura das
ideias do mainstream, geralmente mal assimiladas e quase nunca
discutidas pelo público, que as aceita como verdades insofismáveis.
Parece-nos, por isso, que é útil fazer uma leitura dos
dados existentes e publicados, de forma a torná-los compreensíveis
por franjas mais largas do público.
A erosão costeira tem sido apontada como um dos principais problemas ambientais em Portugal. Muitas vezes é invocada, a esse respeito a “elevação do nível do mar”, ou mesmo a sua “aceleração” tida como uma das principais causas do... more
A erosão costeira tem sido apontada como um dos principais problemas ambientais em Portugal. Muitas vezes é invocada, a esse
respeito a “elevação do nível do mar”, ou mesmo a sua “aceleração” tida como uma das principais causas do processo.
A análise das tendências da da variação do nível do mar na Península Ibérica demonstra uma variedade acentuada de tendências.
Porém, são raros os caso de valores superiores a 2mm/ano. E geralmente acontecem em séries relativamente curtas.
Recentemente, a série de Cascais foi alvo de um estudo aprofundado que conduziu a uma proposta de subida de 4,1mm/ano.
Discutem-se os processos seguidos para a obtenção deste valor e conclui-se da fraca probabilidade de existir, de facto, uma aceleração
da subida do nível do mar, tal como esse valor poderia fazer supor.
Os valores da subida absoluta do nível do mar, em que são descontados os movimentos na vertical do continente, avaliados por
GPS, mostram que a maior parte das estações europeias apresentam valores inferiores a uma subida eustática de 2mm/ano. Isto
significa que a subida do nível do mar proposta por certos alarmistas climáticos não apresenta bases objectivas.
respeito a “elevação do nível do mar”, ou mesmo a sua “aceleração” tida como uma das principais causas do processo.
A análise das tendências da da variação do nível do mar na Península Ibérica demonstra uma variedade acentuada de tendências.
Porém, são raros os caso de valores superiores a 2mm/ano. E geralmente acontecem em séries relativamente curtas.
Recentemente, a série de Cascais foi alvo de um estudo aprofundado que conduziu a uma proposta de subida de 4,1mm/ano.
Discutem-se os processos seguidos para a obtenção deste valor e conclui-se da fraca probabilidade de existir, de facto, uma aceleração
da subida do nível do mar, tal como esse valor poderia fazer supor.
Os valores da subida absoluta do nível do mar, em que são descontados os movimentos na vertical do continente, avaliados por
GPS, mostram que a maior parte das estações europeias apresentam valores inferiores a uma subida eustática de 2mm/ano. Isto
significa que a subida do nível do mar proposta por certos alarmistas climáticos não apresenta bases objectivas.
Research Interests:
RESUMO A preocupação com as variações do nível do mar está na ordem do dia. Na verdade a aprovação dos acordos de Paris, no final de 2015, veio reforçar a atualidade ao tema. Esta atualidade viu-se ainda acentuada com a recente decisão do... more
RESUMO
A preocupação com as variações do nível do mar está na
ordem do dia. Na verdade a aprovação dos acordos de Paris, no
final de 2015, veio reforçar a atualidade ao tema. Esta atualidade
viu-se ainda acentuada com a recente decisão do presidente
dos Estados Unidos a respeito dos ditos acordos.
Numa época de grande difusão da informação, parece-nos
que corremos o risco, como sociedade, de sermos afastados da
discussão de temas candentes devido ao seu carácter muito
especializado que o torna aparentemente inacessível. Da falta
de compreensão da ciência subjacente, ou de uma compreensão
demasiado simplista, resulta uma verdadeira ditadura das
ideias do mainstream, geralmente mal assimiladas e quase nunca
discutidas pelo público, que as aceita como verdades insofismáveis.
Parece-nos, por isso, que é útil fazer uma leitura dos
dados existentes e publicados, de forma a torná-los compreensíveis
por franjas mais largas do público.
A Terra está sempre a evoluir. Não só pela movimentação
das placas litosféricas, mas também por profundas variações
climáticas que existiram desde sempre. Por isso, para um geólogo
ou geomorfólogo é necessário colocar a questão das variações
climáticas com o recuo suficiente para se perceber como
as variações atuais se enquadram numa história de constante
mudança.
Há diversos especialistas habilitados para falar dos diversos
tópicos englobados na noção de mudanças globais.
Longe de querermos meter a foice em seara alheia, pretendemos
apenas dar uma modesta contribuição para a discussão,
falando de um tema que temos explorado nos últimos tempos:
as variações do nível do mar.
Quando se discutem as mudanças ditas globais, há sempre
um argumento particularmente alarmista que afirma que haverá
regiões que podem ser riscadas do mapa devido à subida do
nível do mar.
Sabemos que se todos os glaciares da terra fundissem, o
nível do mar poderia subir cerca de 80 m. Porém os glaciares
em questão, nomeadamente o inlandsis da Gronelândia e da
Antártida existem há cerca de 35 milhões de anos, desde meados
do Cenozóico (Siegert, 2009).
Na verdade, ao contrário da ideia corrente de que estamos
num período de aquecimento, a parte final do Cenozóico e o
Quaternário em particular, correspondem a fases de arrefecimento
que vão conduzir à criação de extensos mantos de gelo.
Estes caracterizam o Quaternário com as suas alternâncias
glaciações/períodos interglaciares, particularmente intensas
nos últimos 900.000 anos.
Cada um dos períodos glaciares vai corresponder ao
aumento da área dos inlandsis da Gronelândia e da Antártida e
à criação de inlandsis nos continentes, nas áreas mais próximas
dos polos, bem como de extensos glaciares nas áreas montanhosas.
A formação de inlandsis corresponde a um forte aumento
da pressão sobre os continentes em que eles se situam: estamos
a falar de espessuras que, na atualidade, atingem 3000 m na
Gronelândia. É de supor que as de espessuras dos inlandsis da
Escandinávia ou da América do Norte durante a última glaciação
(Würm) não fossem inferiores. Esse fenómeno vai produzir
uma subsidência dos continentes afetados, que será máxima
nos locais onde a espessura do gelo era maior. A matéria infracrustal,
deslocada por esse processo de Isostasia glaciária, seria
deslocada para a periferia do inlandsis constituindo um rebordo
levantado: o forebulge.
Na fase de deglaciação criava-se um movimento contrário:
as antigas áreas glaciadas passam a subir e o forebulge
sofre subsidência.
Se analisarmos as tendências da variação do nível do mar
dadas pelo Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL)
para toda a Europa, facilmente compreendemos que essa movimentação
do lado dos continentes (isostasia pós-glaciar) tem
uma grande relevância na determinação das tendências das
variações relativas ao nível do mar (fig. 1).
A compensação isostática pós-glaciar produz a aparente
descida do nível do mar nos marégrafos das latitudes mais
altas (acima de 57ºN). A latitudes inferiores a 57ºN desenvolve
-se o forebulge, que tem o seu máximo desenvolvimento a
cerca de 50ºN, com subidas relativas do nível do mar que
podem ultrapassar os 2mm/ano. Abaixo dos 45ºN existe uma
área de com uma certa irregularidade nas variações do nível do
mar, já que entramos no domínio das cadeias alpinas, onde
atuam movimentos tectónicos recentes, deslocando a posição
dos marégrafos e, assim, interferindo com as variações relativas
do nível do mar neles registadas.
Para tentar compreender melhor e quantificar o papel dos
movimentos existentes do lado do continente, consultamos o
site SONEL (Systhème de Observation du Niveau des Eaux
Littorales) com dados de GPS para as estações europeias. A
figura 2 representa as velocidades verticais para 88 estações
europeias. A figura confirma não só a movimentação isostática
pós-glaciar (subida na vertical=barras laranja) como o facto de
que, no forebulge a tendência é, geralmente, para uma descida
do continente (barras turquesa). Como é evidente, esta movimentação
por parte do continente, vai acentuar a tendência
para a subida do nível do mar posterior à pequena idade do
gelo e contribuir assim para que muitos dos marégrafos das
latitudes médias apresentem valores de subida relativa do
nível do mar relativamente elevados.
Nas altitudes mais baixas nota-se uma série de irregularidades
que só podem ser explicadas a partir de movimentos
essencialmente tectónicos, isto é de uma tectónica diferencial.
Todavia, aquilo que parece mais evidente é que há um claro
predomínio, nas costas europeias abaixo dos 57ºN, para uma
subsidência das estações litorais, que ultrapassa em muito o
que seria de esperar pensando apenas no forebulge. Esse facto
tenderá a acentuar a subida do nível do mar que acontece devido
ao fim da pequena idade do gelo (Mörner, 1973).
Pode concluir-se, assim, que uma parte significativa das variações
relativas do nível do mar nas latitudes inferiores a 45ºN
resultam de movimentos de subsidência dos locais onde se
encontram os marégrafos. Como estes movimentos são impossíveis
de controlar por parte do Homem, a “batalha contra a
subida do nível do mar”, que se pretende fazer através da redução
do uso dos combustíveis fósseis, parece ser inglória e de
resultados muito discutíveis.
A exploração dos dados existentes no site SONEL permite
analisar a combinação das variações relativas do nível do
mar com as movimentações verticais de GPS. O resultado é
visível na figura 3. Verifica-se que há diversos locais no norte
da Europa onde as variações do nível do mar são negativas,
devido à já referida recuperação isostática pós-glaciar.
No resto da Europa, as variações absolutas do nível do
mar são tendencialmente positivas. Mas são muito raros os
locais onde são superiores a 2mm/ano. O caso de Klaipedia
(Lituânia), onde os dados de GPS estão longe de ser fiáveis (fig. 5) e o da Cádiz, onde a distância entre o GPS e o marégrafo
ultrapassa os 10km (fig. 7) deveriam ter merecido uma análise
mais cuidada antes da sua publicação no mapa da figura 4.
Mesmo assim, este mapa que representa a variação absoluta
do nível do mar não parece ser particularmente preocupante:
com a excepção de Klaipedia e Cádiz, cujos resultados são
muito discutíveis, a variação absoluta do nível do mar é quase
sempre inferior a 2mm e apresenta um valor médio de
1,015mm/ano.
A preocupação com as variações do nível do mar está na
ordem do dia. Na verdade a aprovação dos acordos de Paris, no
final de 2015, veio reforçar a atualidade ao tema. Esta atualidade
viu-se ainda acentuada com a recente decisão do presidente
dos Estados Unidos a respeito dos ditos acordos.
Numa época de grande difusão da informação, parece-nos
que corremos o risco, como sociedade, de sermos afastados da
discussão de temas candentes devido ao seu carácter muito
especializado que o torna aparentemente inacessível. Da falta
de compreensão da ciência subjacente, ou de uma compreensão
demasiado simplista, resulta uma verdadeira ditadura das
ideias do mainstream, geralmente mal assimiladas e quase nunca
discutidas pelo público, que as aceita como verdades insofismáveis.
Parece-nos, por isso, que é útil fazer uma leitura dos
dados existentes e publicados, de forma a torná-los compreensíveis
por franjas mais largas do público.
A Terra está sempre a evoluir. Não só pela movimentação
das placas litosféricas, mas também por profundas variações
climáticas que existiram desde sempre. Por isso, para um geólogo
ou geomorfólogo é necessário colocar a questão das variações
climáticas com o recuo suficiente para se perceber como
as variações atuais se enquadram numa história de constante
mudança.
Há diversos especialistas habilitados para falar dos diversos
tópicos englobados na noção de mudanças globais.
Longe de querermos meter a foice em seara alheia, pretendemos
apenas dar uma modesta contribuição para a discussão,
falando de um tema que temos explorado nos últimos tempos:
as variações do nível do mar.
Quando se discutem as mudanças ditas globais, há sempre
um argumento particularmente alarmista que afirma que haverá
regiões que podem ser riscadas do mapa devido à subida do
nível do mar.
Sabemos que se todos os glaciares da terra fundissem, o
nível do mar poderia subir cerca de 80 m. Porém os glaciares
em questão, nomeadamente o inlandsis da Gronelândia e da
Antártida existem há cerca de 35 milhões de anos, desde meados
do Cenozóico (Siegert, 2009).
Na verdade, ao contrário da ideia corrente de que estamos
num período de aquecimento, a parte final do Cenozóico e o
Quaternário em particular, correspondem a fases de arrefecimento
que vão conduzir à criação de extensos mantos de gelo.
Estes caracterizam o Quaternário com as suas alternâncias
glaciações/períodos interglaciares, particularmente intensas
nos últimos 900.000 anos.
Cada um dos períodos glaciares vai corresponder ao
aumento da área dos inlandsis da Gronelândia e da Antártida e
à criação de inlandsis nos continentes, nas áreas mais próximas
dos polos, bem como de extensos glaciares nas áreas montanhosas.
A formação de inlandsis corresponde a um forte aumento
da pressão sobre os continentes em que eles se situam: estamos
a falar de espessuras que, na atualidade, atingem 3000 m na
Gronelândia. É de supor que as de espessuras dos inlandsis da
Escandinávia ou da América do Norte durante a última glaciação
(Würm) não fossem inferiores. Esse fenómeno vai produzir
uma subsidência dos continentes afetados, que será máxima
nos locais onde a espessura do gelo era maior. A matéria infracrustal,
deslocada por esse processo de Isostasia glaciária, seria
deslocada para a periferia do inlandsis constituindo um rebordo
levantado: o forebulge.
Na fase de deglaciação criava-se um movimento contrário:
as antigas áreas glaciadas passam a subir e o forebulge
sofre subsidência.
Se analisarmos as tendências da variação do nível do mar
dadas pelo Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL)
para toda a Europa, facilmente compreendemos que essa movimentação
do lado dos continentes (isostasia pós-glaciar) tem
uma grande relevância na determinação das tendências das
variações relativas ao nível do mar (fig. 1).
A compensação isostática pós-glaciar produz a aparente
descida do nível do mar nos marégrafos das latitudes mais
altas (acima de 57ºN). A latitudes inferiores a 57ºN desenvolve
-se o forebulge, que tem o seu máximo desenvolvimento a
cerca de 50ºN, com subidas relativas do nível do mar que
podem ultrapassar os 2mm/ano. Abaixo dos 45ºN existe uma
área de com uma certa irregularidade nas variações do nível do
mar, já que entramos no domínio das cadeias alpinas, onde
atuam movimentos tectónicos recentes, deslocando a posição
dos marégrafos e, assim, interferindo com as variações relativas
do nível do mar neles registadas.
Para tentar compreender melhor e quantificar o papel dos
movimentos existentes do lado do continente, consultamos o
site SONEL (Systhème de Observation du Niveau des Eaux
Littorales) com dados de GPS para as estações europeias. A
figura 2 representa as velocidades verticais para 88 estações
europeias. A figura confirma não só a movimentação isostática
pós-glaciar (subida na vertical=barras laranja) como o facto de
que, no forebulge a tendência é, geralmente, para uma descida
do continente (barras turquesa). Como é evidente, esta movimentação
por parte do continente, vai acentuar a tendência
para a subida do nível do mar posterior à pequena idade do
gelo e contribuir assim para que muitos dos marégrafos das
latitudes médias apresentem valores de subida relativa do
nível do mar relativamente elevados.
Nas altitudes mais baixas nota-se uma série de irregularidades
que só podem ser explicadas a partir de movimentos
essencialmente tectónicos, isto é de uma tectónica diferencial.
Todavia, aquilo que parece mais evidente é que há um claro
predomínio, nas costas europeias abaixo dos 57ºN, para uma
subsidência das estações litorais, que ultrapassa em muito o
que seria de esperar pensando apenas no forebulge. Esse facto
tenderá a acentuar a subida do nível do mar que acontece devido
ao fim da pequena idade do gelo (Mörner, 1973).
Pode concluir-se, assim, que uma parte significativa das variações
relativas do nível do mar nas latitudes inferiores a 45ºN
resultam de movimentos de subsidência dos locais onde se
encontram os marégrafos. Como estes movimentos são impossíveis
de controlar por parte do Homem, a “batalha contra a
subida do nível do mar”, que se pretende fazer através da redução
do uso dos combustíveis fósseis, parece ser inglória e de
resultados muito discutíveis.
A exploração dos dados existentes no site SONEL permite
analisar a combinação das variações relativas do nível do
mar com as movimentações verticais de GPS. O resultado é
visível na figura 3. Verifica-se que há diversos locais no norte
da Europa onde as variações do nível do mar são negativas,
devido à já referida recuperação isostática pós-glaciar.
No resto da Europa, as variações absolutas do nível do
mar são tendencialmente positivas. Mas são muito raros os
locais onde são superiores a 2mm/ano. O caso de Klaipedia
(Lituânia), onde os dados de GPS estão longe de ser fiáveis (fig. 5) e o da Cádiz, onde a distância entre o GPS e o marégrafo
ultrapassa os 10km (fig. 7) deveriam ter merecido uma análise
mais cuidada antes da sua publicação no mapa da figura 4.
Mesmo assim, este mapa que representa a variação absoluta
do nível do mar não parece ser particularmente preocupante:
com a excepção de Klaipedia e Cádiz, cujos resultados são
muito discutíveis, a variação absoluta do nível do mar é quase
sempre inferior a 2mm e apresenta um valor médio de
1,015mm/ano.
Research Interests:
Satellite altimetry doesn’t seem the most adequate approach for evaluating sea level changes in coastal areas [2]. The tide gauge trends available at Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL) only give relative sea level information.... more
Satellite altimetry doesn’t seem the most adequate approach for evaluating sea level changes in coastal areas [2].
The tide gauge trends available at Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL) only give relative sea level information. The calculated trends are strongly affected by the length of the series [1]. On the other side, possible land movements taking place at tide gauge location must be evaluated.
Fig. 1A was constructed from the GPS trends for European stations available at SONEL site. There is a clear influence of post-glacial isostatic rebound in Scandinavia and northern England. To the south, almost all the stations have negative GPS signals. These subsiding processes will accentuate post Little Ice Age (LIA) sea level rise. There are some exceptions in southern Europe, where neotectonic movements may produce a localized uplift and GPS trends are quite different on nearby stations (southern Spain: Huelva, Tarifa, Ceuta, fig. 1A).
The real “eustatic” component must be understood as the difference between relative sea level changes (tide gauge data) and vertical GPS velocities [5]. The results obtained by this process for all European stations, discounting on the repeated ones, produces an average of 1,016 mm/year. This seems quite plausible and it is similar to the values calculated by Mörner [3].
At SONEL site there are maps showing the combined result of PSMSL with the GPS data for some selected stations. Fig. 1B shows the results for Iberia. For the elaboration of these maps, the ideal situation should be a tide gauge coupled with a GPS station exactly at the same place, or within a very small distance [4]. However, sometimes, the GPS data are obtained from points at significant distance from the tide gauge stations (10,75km for Huelva, 10,28km for Cadiz). So, the maps of SONEL site must be used with care and some criticism.
The tide gauge trends available at Permanent Service for Mean Sea Level (PSMSL) only give relative sea level information. The calculated trends are strongly affected by the length of the series [1]. On the other side, possible land movements taking place at tide gauge location must be evaluated.
Fig. 1A was constructed from the GPS trends for European stations available at SONEL site. There is a clear influence of post-glacial isostatic rebound in Scandinavia and northern England. To the south, almost all the stations have negative GPS signals. These subsiding processes will accentuate post Little Ice Age (LIA) sea level rise. There are some exceptions in southern Europe, where neotectonic movements may produce a localized uplift and GPS trends are quite different on nearby stations (southern Spain: Huelva, Tarifa, Ceuta, fig. 1A).
The real “eustatic” component must be understood as the difference between relative sea level changes (tide gauge data) and vertical GPS velocities [5]. The results obtained by this process for all European stations, discounting on the repeated ones, produces an average of 1,016 mm/year. This seems quite plausible and it is similar to the values calculated by Mörner [3].
At SONEL site there are maps showing the combined result of PSMSL with the GPS data for some selected stations. Fig. 1B shows the results for Iberia. For the elaboration of these maps, the ideal situation should be a tide gauge coupled with a GPS station exactly at the same place, or within a very small distance [4]. However, sometimes, the GPS data are obtained from points at significant distance from the tide gauge stations (10,75km for Huelva, 10,28km for Cadiz). So, the maps of SONEL site must be used with care and some criticism.
Research Interests:
Coastal erosion is a real problem along several stretches of the Portuguese coast. The causes are quite complex and the effects in the coastline are also differentiated. Some scientists (Dias et al., 1997) insist that only 10% of coastal... more
Coastal erosion is a real problem along several stretches of the Portuguese coast. The causes are quite complex and the effects in the coastline are also differentiated. Some scientists (Dias et al., 1997) insist that only 10% of coastal erosion in Portugal can be related to sea level changes. It is known (Ferreira et al., 2008) that the most important cause has to do with the retention of sediments at the dams along the main rivers. Recent papers also conclude that the erosion areas are generally related to human intervention along the coastline (Lira et al. 2016).
Research Interests:
The coastline of northwest Portugal shows a remarkable regional homogeneity with a very consistent NNW-SSE orientation from Cape Silleiro in Galicia to Espinho, 14 km south of Oporto. It is a ca. 122 km stretch of rocky coast covered, in... more
The coastline of northwest Portugal shows a remarkable
regional homogeneity with a very consistent NNW-SSE
orientation from Cape Silleiro in Galicia to Espinho,
14 km south of Oporto. It is a ca. 122 km stretch of rocky
coast covered, in most places, by recent beach and dune
sands. Besides its straight appearance, another important
feature is the presence of the so-called littoral platform,
which develops as an erosional surface adjacent to the
coast, generally separated from the interior by an abrupt
escarpment. The littoral platform shows several outcrops
of Plio-Quaternary deposits, which may be the key to
understand its origin and evolution. In this chapter, the
general evolution of the coastline of northwest Portugal is
discussed. The area between the rivers Leça and Espinho
is analysed in more detail. Along these 39 km of
coastline, Cenozoic deposits covering the coastal platform
are frequent and well exposed, which make it an
interesting area for the understanding of its paleogeographical
and geomorphological evolution.
regional homogeneity with a very consistent NNW-SSE
orientation from Cape Silleiro in Galicia to Espinho,
14 km south of Oporto. It is a ca. 122 km stretch of rocky
coast covered, in most places, by recent beach and dune
sands. Besides its straight appearance, another important
feature is the presence of the so-called littoral platform,
which develops as an erosional surface adjacent to the
coast, generally separated from the interior by an abrupt
escarpment. The littoral platform shows several outcrops
of Plio-Quaternary deposits, which may be the key to
understand its origin and evolution. In this chapter, the
general evolution of the coastline of northwest Portugal is
discussed. The area between the rivers Leça and Espinho
is analysed in more detail. Along these 39 km of
coastline, Cenozoic deposits covering the coastal platform
are frequent and well exposed, which make it an
interesting area for the understanding of its paleogeographical
and geomorphological evolution.
